terça-feira, 4 de abril de 2017

Resenha | Os 13 Porquês - Jay Asher




Autor: Jay Asher
Editora: Ática
Páginas: 256
Avaliação: 
     



Será que boatos podem levar alguém ao suicídio? Para Hannah Baker, a resposta é sim!

O livro conta a história de Hannah, uma adolescente que depois de conturbadas polêmicas envolvendo seu nome em seu ambiente escolar, decide por um fim a própria vida. Porém antes de sua morte, ela grava sete fitas cassetes contendo o nome de 13 pessoas que contribuíram para sua fatal decisão. Essas fitas são passadas adiante entre elas, até que todos possam ouvir os motivos da jovem falecida. 

“Os 13 Porquês” têm narrativa dupla, pois Clay Jensen o segundo protagonista, recebe a caixa com as fitas no inicio do livro, começando assim uma busca para o entendimento dos fatos que são relatados por Hannah, além de sua curiosidade em saber como ele se encaixa nessa história. A cada fita lemos a reação de Clay enquanto Hannah conta os acontecimentos. A leitura acaba se tornando leve, rápida e viciante. Realmente não queria parar de ler, mas como Clay, acabei seguindo uma fita por vez. 

Admito que até a Fita 5 : Lado A “O nono da lista” como resolvi chamar este capitulo, os motivos não pareciam ser tão gritantes a ponto de fazer Hannah desistir de si mesma dessa maneira. Não estava conseguindo entendê-la por completo. Mas após este capitulo coisas drásticas acontecem e não que esses motivos justifiquem as ações dela, porém foram à gota d’água que faltava para impulsioná-la a se suicidar. Tudo acontece muito rapidamente e essa reviravolta na história mexe profundamente com o leitor, foi como se em cada página existe um apego silencioso dizendo: “Por favor, salvem Hannah de si mesma.” 

“Não importa o que eu disse até aqui, não importa de quem eu falei, tudo retorna a mim...Tudo termina comigo.” (Hannah Baker)

Um alerta, um aviso de como atitudes erradas, boatos, bullying entre outros fatos mal resolvidos conseguem entrar em alguém tão profundamente fazendo se sentir menor, insignificante ao ponto de achar que ninguém se importa com ela. No caso de Hannah ela é uma jovem reservada, que não se abre com as pessoas, não faz amizade com facilidade, na maior parte do tempo fica sozinha com pensamentos ruins, não conversa muito com seus pais, não busca ajuda quando se sente encurralada pelas agressões verbais de seus colegas tentando resolver essas questões ao seu modo sem envolver terceiros. Resumindo uma pessoa que se isola, vivendo por muito tempo com uma solidão e tristeza em sua alma. 

Será que não havia sinais de sua depressão? Da sua angústia? Será que realmente alguém não conseguiria ajudá-la se ela tivesse permitido? Será que todos os presentes nas fitas são culpados? Hannah mostra uma atitude muito nobre ao perdoá-los, mas ainda sim é necessário que todos escutassem e torne seus relatos uma lição. 

Senti falta do núcleo adulto tendo uma interação mais direta com Hannah, há poucas partes que realmente estão presentes. A narrativa prende-se ao mundo adolescente saindo pouco de sua zona de conforto. Acredito que o final poderia ser escrito de várias formas diferentes, mas entendo que esta lacuna que ficou aberta da vida de Clay deixou que a imaginação do leitor completasse a história, permitindo escolher o destino para o personagem, deixando um gostinho de mais. Estou curiosa para a serie que lançou no dia 31 de Março na Netflix e se ela conseguir ser tão viciante como o livro, tenho certeza que ganhará muitos fãs.

2 comentários:

  1. Oi K!
    Li esse livro no ano passado, fiz resenha no blog também, e poucas pessoas que conheço leram na época, fiquei sem ter com quem falar, hahah.
    Quanto a lacuna do final, eu entendo como uma brecha para que Clay pudesse ajudar aquela que um dia fora sua amiga e que agora estava tão afastada dele mostrando sinais de mudança comportamental, como se ele reconhecesse alguns sinais que não teve a oportunidade de reconhecer em Hannah. Se eu começar a falar, não vou parar mais, hahah!


    Arrasou na resenha!

    Beijoooo

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    1. Oi Cecy!
      Realmente parando para pensar dessa forma.Fique a vontade para desabafar, você está em casa "rs"
      Obrigada.
      Beijo.

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