sexta-feira, 5 de julho de 2019

Resenha | A Gata do Rio Nilo - Lia Neiva




Autor: Lia Neiva
Editora: Editora Globo
Páginas: 152
Avaliação:
      


 Tive uma bela surpresa quando o livro "A Gata do Rio Nilo" veio para as minhas mãos por indicação do meu colega de curso, Davi Nagai. Sim leitores, eu costumo ler as indicações de vocês, muitas vezes antes dos livros que já fazem parte da minha meta literária anual, fica a dica. Apesar de não ser um gênero literário que estou acostumada, gostei muito dessa leitura aonde cada detalhe é de extrema importância para compreensão total da narrativa. O livro apresenta várias versões da mesma história, escrita em diferentes períodos artísticos como: Barroco, Romantismo, Realismo, Naturalismo, Modernismo e Pós-Modernismo. Cada tempo apresenta um ponto de vista de um personagem especifico, trazendo pistas para enfim completar o labirinto enigmático construído ao longo das páginas pela brilhante escritora Lia Neiva. 

Um terrível equívoco acaba conectado permanentemente as vidas de Epaminondas ( dono do estabelecimento Azul), Victor Alexandre ( o professor que interpreta de maneira errada a situação, sugerindo algo fatal), Dalmo ( um vendedor de tônicos, insatisfeito com sua vida conjugal), Naná ( esposa de Dalmo, e vítima da sugestão de Victor, seu esposo e Epaminondas) e Glorinha ( a gata que possui uma misteriosa ligação com o Egito antigo).

Admito que ao iniciar a leitura tive um pouco de dificuldade de acompanhar a narrativa pois a mesma, também é escrita de acordo com o tempo do capítulo,  desde Barroco ao Pós-Modernismo onde a escrita é bem semelhante a atual. Se pensar em desistir por esse motivo, saiba que a leitura ficará mais fácil a medida que avança, além disso só terá todas as pistas necessárias e esclarecimentos no último capítulo, então vale a pena investigar esse intrigante enredo.  Já que apenas nas páginas finais do livro é possível ter a compreensão total sobre o que realmente aconteceu.

Enquanto lia, um pensamento constante era: Como uma interpretação errada pode mudar todo o rumo da história. Recordei das minhas aulas de português, que a professora dizia que uma boa interpretação é fundamental para compreensão geral. E veja só, um professor é justamente quem comete esse erro em "A gata do rio nilo". Essa ironia, mostra que qualquer pessoa pode cometer um equivoco. E essa é a grande questão aqui, será que se Victor Alexandre tivesse uma percepção correta dos fatos o final seria diferente? Ou será que Dalmo acabaria levando a história para um final similar por conta da sua insatisfação matrimonial? Outro ponto interessante que a autora coloca é o relato de morte de um dos personagens. O leitor compreende antes do fatídico fim que são os últimos momentos, falas e suspiros de vida, um momento impactante na narrativa, e também um dos melhores capítulos do livro, já que fecha vários ciclos.


Pelo fato de a leitura seguir os tempos artísticos colocando a narrativa também dentro do período, indicaria esse livro para quem se sente confortável em acompanhar narrativas complexas, que apresentem um certo grau de dificuldade. Acredito que o mesmo não funcionaria muito bem para pessoas que não gostam de déjà vu ( o que não é o meu caso), já que há contante repetição dos fatos, acrescentando novos detalhes com o avanço das páginas. Apesar desses prós e contras, "A gata do rio nilo" é um bom livro para quem curti o estilo "quebra-cabeça" como eu costumo chamar, onde há a necessidade de juntar as pistas para entendimento do enrendo. Por esse motivo apesar da estranheza inicial por conta da época, gostei muito da história e recomendaria.

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