quinta-feira, 7 de maio de 2020

Notícias | Midnigth Sun da série Crepúsculo finalmente será publicado!






Não leitor, você não leu errado! 


Recentemente a escritora Stephenie Meyer, anunciou em sua página oficial 

(Clique aqui para ver publicação oficial) que o livro Midnigth Sun ( Em tradução livre Sol da meia-noite) finalmente será publicado nos Estados Unidos no dia 4 de agosto de 2020. Ainda sem data para chegar ao Brasil. Mas essa notícia já deixa a gente muito feliz e aguardando ansiosamente por esse livro. 


A escritora revelou a capa de Midnigth Sun, que segue o padrão das demais, e curiosamente tem uma romã com seu líquido a pingar. Vale lembrar, que este livro contará os fatos do primeiro livro da série pela visão de Edward Cullen. O primeiro volume “Crepúsculo” tem uma maça em sua capa, que remete ao fruto proibido, a algo que não poderia acontecer mas acaba ocorrendo, o que encaixou muito bem com a história. Eu cheguei a ler alguns significados sobre a Romã para tentar entender essa escolha da capa, mas até o momento não encontrei nada que fizesse muito sentido. Com certeza, ao ler o livro vamos compreender. 

Em comunicado (em tradução livre) Stephenie disse:

"Caros amigos e leitores,

Antes de tudo, espero que você e sua família estejam todos seguros, saudáveis e em um bom lugar. Essa é a coisa principal.

Segundo, estou feliz em anunciar que Midnight Sun está finalmente (muito perto de) pronto! E estará nas livrarias dia 4 de agosto. Espero que este anúncio não pareça incorreto; Eu realmente pensei em adiar o lançamento até que o mundo voltasse ao normal. No entanto, 1) quem sabe quando será? E 2) vocês esperaram o suficiente. Muito mais tempo do que o suficiente, na verdade.

Não sei como todo mundo está lidando, mas agora os livros são meu principal consolo e a fuga mais feliz. Pessoalmente, eu não ficaria nada satisfeita, se um dos meus autores favoritos anunciasse algo novo para eu ler. (Sem pressão, Laini Taylor.) Então, espero que este anúncio tenha lhe dado algum prazer e algo divertido de se esperar.

Trabalhar em um livro por mais de treze anos é uma experiência estranha. Eu não sou a mesma pessoa que eu era. Meus filhos cresceram. Minhas costas ficaram estranhas. O mundo é um lugar diferente. Só posso imaginar todas as coisas que mudaram para você.

Mas completar Midnight Sun me trouxe de volta aqueles primeiros dias de Crepúsculo, quando eu conheci muitos de vocês. Nós nos divertimos muito, não é? 

Participando de bailes de formatura, saindo de quartos de hoteis e lendo na praia (enquanto recebemos as queimaduras solares mais épicas de nossas vidas). Criamos camisetas divertidas e sites fabulosos. Encontramos espíritos afins que ainda estão em nossas vidas agora. Espero que, voltando ao início da história de Bella e Edward, você se lembre de toda essa diversão também."


Stephenie cita a Laini Taylor, autora da série “Feita de Fumaça e Osso” que é uma das minhas favoritas. Laini Taylor também é uma escritora incrível! Leiam os livros dessa mulher gente! Se você gosta de fantasia, não vai se arrepender! 

Para quem é fã da Shephenie sabe como esse livro foi muito aguardado. Há alguns anos a autora tinha escrito doze capítulos de Midnigth Sun, quando o original vazou na internet. Isso foi muito comentado. Na época, o destino desse livro ficou incerto, sem esperanças que ele fosse publicado e agora após todo esse tempo, a escritora nos presenteia com essa notícia maravilhosa! Trazendo o ponto de vista de Edward Cullen sobre os fatos, esse personagem marcante, com sentimentos fortes e profundos. Eu mal vejo a hora de ter esse livro em mãos! 

Depois dessa novidade eu estou pensando em reler a série pela quinta vez e comentar minhas opiniões sobre cada livro aqui para vocês? Que tal? Deixa nos comentários se curte essa ideia.

Confira vídeo abaixo:

sexta-feira, 24 de abril de 2020

Resenha | A Melodia Feroz - Monstros da Violência - Victoria Schuwab - Livro 1





Autores: Victoria Schwab
Editora: Seguinte
Páginas: 384
Avaliação:
      


Essa é a primeira vez que leio um livro da escritora Victoria Schuwab. Eu admito que sou o tipo de leitora que compra livros pela capa, a beleza da edição é algo que me atrai, mas no caso de " A Melodia Feroz" foi o título e o nome da duologia “Monstros da Violência” que fizeram eu ficar intrigada e pensando como a autora conseguiria relacionar música com a violência.

Neste livro há uma cidade chamada Veracidade, onde os atos de violência acabaram gerando monstros de verdade. Esses monstros são: os corsais, os malchais e os sunais.
• Os corsais são sombras carnívoras que surgem de crimes que não envolvem morte.
• Os malchais surgem de assassinatos, possuem uma aparência monstruosa, olhos vermelhos, ossos negros e se alimentam de sangue.
• E os sunais, monstros raros que surgem apenas em grandes massacres. Eles parecem humanos, mas com sua melodia se alimentam das almas de pessoas que cometeram crimes.

Veracidade é dividida entre dois lados, o Norte liderado pelo impiedoso Callum Harker (pai de Kate Harker) e o lado Sul liderado por Henry Flynn (pai de August).
Todos os fatos relatados acima não são Spoilers, são apenas a sinopse do livro. Sua introdução é extensa possibilitando ao leitor compreender e se aprofundar em todos os elementos deste universo. A narrativa é dívida entre Kate e August que mostram duas personalidades opostas, mas com interesses em comum.

Kate perdeu a mãe muito cedo e a ausência de seu pai, a deixa desconfortável. Ela sente que precisa chamar a atenção de Callum para que ele a ame, sendo tão cruel quanto ele, tendo atitudes tempestuosas e impulsiva. Por outro lado, August que é um dos três sunais existes, não tem muito contato com mundo exterior, sendo superprotegido por seu pai Henry que a primeiro momento não quer que sua identidade seja revelada. Porém, quando Kate retorna a Veracidade e decide estudar na Academia Colton, Henry e Leo (que também é um sunai, irmão de August e comandante da FTF, força tarefa que defende o lado sul ) acreditam que ter alguém infiltrado do lado inimigo pode ser satisfatório para que se estabeleça o controle dos dois lados e pede para que August se passe por humano, como um aluno da academia.

Admito que quando vi que a narrativa alternava entre Kate e August, pensei que haveria um romance entre eles aconteceria. Mas a escritora prioriza o fato de a violência ter se tornado um grande problema para sociedade, criando uma conexão com o mundo real. Henry tenta manter o seu lado de forma pacifica, enquanto Callum usa de artifícios como o pagamento por proteção contra monstros, dando colares aos humanos. Porém nenhum dos dois lados está tendo progresso em sua liderança e suas regras estão prestes a quebrarem.

Kate e August ficam presos neste conflito pelo poder, sendo vítimas das ações maléficas de monstros e pessoas que nunca esperavam. A medida que essa aproximação deles evolui, a revolução entre homens e monstros cresce, mostrando a Kate e August que suas vidas nunca mais serão as mesmas. #RecomendoaLeitura


quinta-feira, 23 de abril de 2020

Resenha | Contos da Academia dos Caçadores de Sombras – Cassandra Clare




Autores: Cassandra Clare, Sarah Rees Brennan, Maureen Johnson e Robin Wasserman
Editora: Galera Record
Páginas: 362
Avaliação:
      



Caso ainda não tenha lido a série “ Os Instrumentos Mortais” essa resenha contém spoilers.

O livro “Contos da Academia dos Caçadores de Sombras” reuni dez contos relacionados a vários personagens do universo de Cassandra Clare. Tendo foco principal no personagem de Simon Lewis e seu período de aprendizagem na Academia para se tornar um caçador de sombras.

A história se inicia, após os acontecimentos do livro “Cidade do Fogo Celestial”, aonde Magnus foi raptado e levado para dimensão infernal e Simon se sacrificou no lugar do feiticeiro, salvando todos seus amigos ao dar sua imortalidade e suas lembranças para Amodeus (pai de Magnus). Simon, perde sua vida de vampiro e volta a ser humano, porém não se lembra dos fatos relacionados ao mundo das sombras, nem de seus amigos. Todos se sentem responsáveis pela perca de Simon e sugerem que ele vá para academia, pois ao ascender como um caçador de sombras, sua memória poderá ser restaurada.

Não imaginava que eu fosse gostar tanto de um livro focado no personagem de Simon Lewis, porque ele foi um dos últimos personagens da Cassandra, que me apeguei e isso só aconteceu depois que li “ Cidade do Fogo Celestial”, que na minha opinião é um dos melhores livros da série Os Instrumentos Mortais. Neste livro “Contos da Academia dos Caçadores de Sombras” vemos Simon em um conflito interno.

A princípio, a sensação que fica é que o Simon vai para academia para fugir da sua antiga realidade, por se sentir pressionado a ser quem ele era. Todos esperam que ele volte a ser o antigo Simon, e isso o deixa decepcionado em alguns momentos, mas na academia ele conhece George Lovelace (um personagem marcante) e seu companheiro de quarto. George, ajuda Simon em diversas situações emocionais durante todos os processos e ensinamentos da academia, virando grande amigo de Simon.

Durante esse período, várias pessoas vão visitar Simon e muitos vão a academia para compartilhar histórias e ensinamentos. Todas os fatos mencionados nos contos são interligados a narrativa principal, acrescentando e revelando acontecimentos importantes e significativos para o universo os caçadores de sombras.

Alguns dos fatos complementares que mais gostei neste livro foram:

• A experiência de James Herondale (filho de Tessa e Will) na academia dos caçadores de sombras.
• A revelação da feiticeira Catarina Loss, que no passado ajudou a salvar um bebê Herondale e graças a ela existe um Herondale perdido que a Clave não tem conhecimento. (E quem sabe, pode aparecer nas próximas histórias).
• Um aprofundamento na história de Robert Lightwood e de seu parabatai Michael Wayland. Robert narra fatos sobre a época que estava do lado de Valentim, revelando detalhes e motivos que o levaram ao comportamento exagerado em relação a sexualidade do seu filho Alec Lightwood.
• No conto “ Os reis pálidos e a princesa” há informações significativas sobre Helen Blackthorn e o passado de seus pais, mencionados como a dama da Corte Seelie e o filho do anjo. Eu ainda não li
“Dama da meia-noite” e acredito que peguei spoilers do livro nesse capítulo.
• E não posso esquecer de Magnus e Alec adotando um pequeno feiticeiro. Neste livro tem a descrição desse momento lindo entre o casal e fato uni ainda mais a família dos caçadores de sombras, que aceitam o pequeno integrante de maneira amável e emocionante.

Contos da Academia dos Caçadores de Sombras, reuni histórias dos melhores personagens do universo, tendo relação com diferentes séries da escritora, sendo um livro indispensável para você que é fã e acompanha o trabalho da Cassandra Clare. Com um final surpreendente, marcante e cheio de significados, esse livro já é um dos meus favoritos e graças a ele Simon ganhou de vez meu coração! #RecomendoaLeitura




quarta-feira, 11 de março de 2020

Resenha | A busca Incessante - Marcelo Segala




Autor: Marcelo Segala
Editora: E-book - Amazon
Páginas: 111
Avaliação:
      



Primeiramente eu gostaria de agradecer a Ivi (esposa do escritor) e ao próprio Marcelo Segala que entraram em contato comigo através do skoob e instagram, apresentando este livro. Eu fico muito feliz quando tenho essa troca significativa com o autor e confiam em mim para fazer sua resenha. Saibam que podem contar comigo e será um prazer compartilhar minhas sinceras opiniões.

Vamos ao livro!

Toni nunca imaginou que um dia encontraria o amor de sua vida, mas aconteceu. No momento que viu Letícia, soube que ela era especial. Juntos conquistaram objetivos, construíram uma vida feliz, casaram-se e tiveram a pequena Júlia. Porém, no aniversário de 8 anos de sua filha, tudo mudou. Um tumor cerebral, tira cruelmente Letícia de sua vida, lhe deixando perdido e sem chão.
Após dois anos de luto, em um passeio casual pela praia de Copacabana, Toni conhece Simone. Pela primeira vez após a morte de sua esposa, ele sente uma forte atração por outra mulher. Toni sente que o sentimento é recíproco e depois desse repentino encontro, Toni não sabe como reencontrá-la, começando assim uma busca incessante por sua nova paixão.

Já fazia algum tempo que eu não lia um livro tão rápido, dentro de dois dias eu finalizei a leitura de "A busca Incessante", sendo este meu novo recorde. A narrativa do Macelo Segala é direta, de fácil entendimento e esses fatores fazem com que a história se torne envolvente rapidamente, algo que eu gostei bastante, porque evitou que decifrasse o que vinha a seguir. Quando eu começava a deduzi o que estava na próxima página, a narrativa completava meu pensamento, e isso foi muito bacana!

Além de todo romance que há na história, a cumplicidade que Toni tem com sua filha Júlia é muito forte, sendo algo que se destaca ao longo das páginas. Eles possuem um laço genuíno de amor, respeito, amizade, querendo sempre o melhor para o outro. Com a perda da mãe, Júlia se tornou a base de Toni, o ajudando a suportar a dor de uma maneira madura para alguém da sua idade. Mesmo que Letícia tenha partido, deixando um grande vazio dentro dos dois, parte dela continua presente nos corações de cada um. Letícia era uma pessoa altruísta e passou esta qualidade para a filha, que mesmo pequena consegue ter grande influência no enredo por seus gestos de amor.

Com o foco do livro direcionado a busca de Simone, mesmo que haja informações complementares da personagem, senti que faltou um pouco de profundidade em sua história. Existe fatos relevantes e importantes sobre ela, mas quando o grande "êxtase" se aproximava, imaginei que Toni fosse fazer questionamentos pessoais sobre seu ex-marido, fosse consolá-la por tudo que passou, mas ele reagiu como alguém que apenas queria algo, sem muitas perguntas, com seu desejo e afeto falando mais alto.

Entretanto, isso pode ser facilmente justificado, se olhamos pelo ponto de vista do protagonista. Toni está se sentindo como um jovem apaixonado, querendo desesperadamente mostrar a Simone seus sentimentos e desejos, não querendo incomodá-la com assuntos ruins que possa machucá-la mais. Já Simone está se sentindo livre e precisa recomeçar. Sendo compreensível as atitudes de cada um ao final do livro.

Quem sabe esse fatos, possam ser discutidos em uma possível continuação? Eu iria gostar de saber como esse amor a primeira vista de Simone e Toni evoluiu e como o ciumento ex-marido iria lidar com a felicidade de Simone, alguém que não valorizou. Já imaginou Toni frente a frente como ele? Isso eu gostaria de ler!

#RecomendoaLeitura

Confira vídeo abaixo:



Resenha | A Herdeira - Sidney Sheldon


Olá leitores tudo bem com vocês?


A Herdeira é uma obra do escritor Sidney Sheldon que narra a trajetória de Elizabeth Roffe herdeira de uma grande rede farmacêutica Roffe and Sons, que após a morte de seu pai Sam Roffe tem a missão de comandar este império, porém ela acaba se aprofundando nos mistérios que envolvem cada integrante da família Roffe, tornando tudo perigoso e imprevisível.


Vem conferir a resenha completa no vídeo abaixo: 



domingo, 16 de fevereiro de 2020

Vídeo | Resenha - Blackbird ( A fuga)



Olá leitores, tudo bem com vocês?

Que tal conhecer um livro novo,  com uma garota sem memória, tendo que fugir por uma cidade ao descobrir que é um alvo de uma grande caçada e com uma bela edição de páginas rosas? Estou falando de Blackbird da escritora Anna Carey,  minha última resenha no canal Paraíso dos livros! 

Vem conferir e compartilhar suas opiniões. Espero por você! 

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

Citação #64 - A Melodia Feroz




" Era um jogo que fazia de vez em quando, desde que tinha aprendido sobre a noção de multiverso: a vida de uma pessoa não era exatamente uma linha, mas uma árvore, e cada decisão era um galho divergente, resultando numa pessoa divergente. Ela gostava da ideia de que havia centenas de Kates diferentes, vivendo centenas de vidas diferentes.
  Talvez em uma dela não houvesse monstros.
  Talvez sua família ainda estivesse inteira.
  Talvez ela e sua mãe nunca tivessem saído de casa.
  Talvez nunca tivesse voltado." - Pág. 14


" Depois de um tempo, as vozes no outro cômodo silenciaram e August foi deixado a sós com seus pensamentos. Ele fechou os olhos, procurando paz, mas, como sempre, o silêncio logo foi quebrado, com o tremor distante de disparos ecoando em seu crânio - um som que invadia todos os momentos de tranquilidade.
  Tudo começou com uma explosão.
  Ele virou para o lado e tirou o som de debaixo do travesseiro. Enfiou os fones nos ouvidos e apertou o play. A música clássica cintilou, alta, brilhante e maravilhosa, e eles se afundou na melodia enquanto os números vagaram por sua mente.
  Doze. Seis. Quatro.
  Doze anos desde o Fenômeno, quando a violência começou a tomar forma e a Cidade V desmoronou.
 Seis anos desde a trégua que a restaurou, não como uma cidade, mas como duas.
 E quatro desde o dia em que ele despertou no meio de um refeitório sendo isolado com uma fita de cena de crime." - (August) - Pág. 26


" Ele lançou um objeto no ar e August o pegou, contraindo-se com o contato. Era um medalhão da Cidade Norte, ornando com um V de um lado e uma série de números do outro. O medalhão de ferro ardia contra a mão de August. O metal puro repelia monstros: os corsais e os malchais não conseguiam tocar naquilo; os sunais só não gostavam (todos os uniformes da FTF levavam metal pro, mas o dele e o de Leo haviam trançados com uma liga metálica)." - Pàg. 37


" - Você se alimentou recentemente?
  Ele engoliu em seco, mas as palavras já estavam subindo por sua garganta. Havia uma diferença entre a incapacidade de mentir e a necessidade de falar a verdade, mas a omissão silenciosa era um luxo que ele não tinha quando se tratava do irmão. Quando um sunai fazia uma pergunta, ele exigia uma resposta.
 - Não estou com fome.
 - August - Leo respondeu. - Você está sempre com fome." (Leo e August) - Pàg, 38


" Você precisa acabar com eles logo de cara", seu pai havia dito certa vez. Claro, ele estava falando de monstros, não adolescentes, mas ambos tinham muito em comum. Obedeciam a uma mentalidade de colmeia; pensavam e agiam em grupos. Tanto cidades como escolas eram microcosmos, e escolas pequenas tinham seu próprio e delicado ecossistema." - Pág. 67


" August se encolheu. As luzes no teto eram brilhantes demais; o raspar das cadeiras, agudo demais. Tudo estava acentuado, como se o volume da sua vida estivesse no máximo, e não de uma forma empolgante. Os barulhos eram altos; os cheiros, fortes; e a dor, contante. Mas piores dos que os sentidos eram as emoções. Agitação e raiva queimavam sob sua pele e em sua cabeça. Todos os comentários e pensamentos pareciam uma faísca em lenha seca." - Pág. 93


" August se manteve completamente imóvel enquanto a energia do homem percorria seu corpo. Não era uma sensação elétrica, poderosa. No máximo, fazia com que se sentisse...real. A raiva, o enjoo e a tensão haviam desaparecido, partido para longe. Ele parecia simplesmente completo.
  Era assim que os humanos se sentiam?
  Então ele abaixou os olhos para o cadáver e uma tristeza percorreu seu corpo feito um calafrio. subitamente, a normalidade pareceu distante. Era um golpe cruel do universo que ele apenas se sentisse humano depois de cometer algo monstruoso, pensava August. O que o fez se perguntar se aquele breve vislumbre de humanidade não passava de uma ilusão, um eco da vida que havia tomado. Uma mentira." - Pág. 117


" No começo, ela havia implorado para voltar para casa, para ficar com ele, mas, com o tempo, desistira de pedir. Não porque não quisesse mais, e sim porque aprendera que súplicas não funcionavam com Callum Harker. Eram um sinal de fraqueza. Então Kate aprendeu a enterrar as coisas que a tornavam fraca. As coisas que a faziam parecer a mãe.
  Ela devolveu o porta-retrato ao criado-mudo e olhou para as próprias mãos. Seus pulmões ainda doíam por causa da fumaça, mas suas mãos haviam parado de tremer. Ela examinou o sangue negro que manchava seus dedos, não com horror, mas com uma determinação fria.
  Ela era a filha de seu pai. Uma Harker.
  E faria de tudo para provar isso." ( Kate Harker) - Pág. 125


" Talvez fossem os comprimidos suavizando suas arestas. Talvez... Mas ainda assim havia algo em Freddie. Algo... apaziguador, contagiante, familiar... Em um auditório cheio de olhares, foi o dele que ela sentiu. Em uma sala repleta de alunos aprendendo mentiras, ele rabiscava a verdade nas margens do caderno. Numa escola que se apegava à ilusão de segurança, ele não tinha medo de falar abertamente sobre a violência. O lugar dele não era ali, como o dela não era, e o estranhamento em comum a fazia sentir que o conhecia." - Pág. 147


" - Acredita mesmo nisso, não é? Que esta cidade gira em torno do que você quer porque tem dinheiro e poder, e todo mundo tem medo de dizer não para você. - Ele se aproximou. - Sei que é difícil acreditar, mas nem tudo nesse mundo é sobre você. - Ele recuou. - Sinceramente, pensei que fosse melhor do que isso. Acho que estava errado." ( August para Kate) - Pág. 167


" Monstro.
  Era ridículo - absurdo, paranoico -, mas lá estava a palavra. De repente, seus pensamentos voltaram à foto borrada na página da Colton, à falta de imagens em qualquer lugar no disco externo, ao nome falso, às palavras rabiscadas nas margens do caderno, aos pais superprojetores, ao medalhão roubado, à recusa a tocar para ela, às criticas e à maneira como a encarava, como se dividissem em segredo. Ou como se estivesse guardando um.
 Sunais, sunais, olhos de carvão.
 com uma melodia sua alma sugarão. [...]

Você já viu um monstro de perto?
 Kate se recostou no banco.
 Freddie Gallagher não era um aluno comum.
 Ele sequer era humano." - Pág. 169-170


" Sunai... A simples palavra bastava para agitar as outras criaturas e irritar seu pai. Mas não parava por aí. Os sunais eram raros - muito mais do que os corsais ou malchais - , e mesmo assim deixavam Harker apreensivo. Provavelmente por causa dos catalisadores. Os corsais pareciam surgir de atos violentos, mas não letais, equanto os malchais se originavam de homicídios. Os sunais, pelo que diziam, vinham dos crimes mais sombrios de todos; bombardeios, tiroteios, massacres, eventos que não tiravam apenas uma, mas muitas vidas. Toda a dor e a morte se juntando em algo verdadeiramente terrível. Se o catalisador de um monstros era um indício de sua natureza, então os sunais eram os piores seres para se encontrar no meio da noite." - Pág. 174 - 175


" Suspirou fundo, ajeitou o violino sob o queixo, o arco nas cordas e... hesitou. Ele nunca havia feito aquilo antes. Tinham sido muitos os dias em que quisera pegar o violino e simplesmente tocar. Mas nunca pudera. A música de um sunai não era tocada sem um motivo. Era uma arma que paralisava todos que a ouviam." - Pág. 206


" Havia boatos de que os corsais contavam segredos, que os murmúrios passavam a fazer sentido logo antes de matarem. Outros afirmavam que apenas repetiam os pecados que os haviam formado, sussurrando atrocidades, imitando os sons horripilantes de metal contra pele, de ossos quebrando, de gritos abafados.
  Agora não era um bom momento para perder o controle. Kate se concentrou na respiração, lembrando-se de que os corsais se alimentavam de medo. Ela encarou o túnel, a lanterna vasculhando o breu, e tentou focar a visão no centro, no ponto mais escuro, que começou a se mexer." - Pág. 238


" - Por que quer tanto ser humano? Nós somos frágeis. Somos mortais.
  - Vocês vivem. Não passam todos os dias sem saber por que existem sem se sentirem reais, por que parecem humanos mas não são. Não fazem de tudo para serem boas pessoas para a vida vir e jogar na sua cara que nem pessoas vocês são." - ( August para Kate) - Pág. 251


" O processo todo foi muito dolorido, mas Kate tinha de admitir: August era cuidadoso. Gentil. O máximo possível para alguém  furando outra pessoa com agulha e linha. Mas era óbvio que ele não queria machucá-la, e parecia até sentir aversão àquilo tudo. Que ótimo. Um monstro sensível. Vai entender." (Kate sobre August) - Pág. 257


" - Não gosto de histórias.
  Kate franziu a dela também.
 - Que estranho.
 - Por quê? - perguntou August.
 Ela bateu as unhas no volante. O esmalte metálico estava descascando.
- Porque sim. Tipo, a maioria das pessoas quer escapar. Sair de dentro da própria cabeça. Da vida real. História são o jeito mais fácil de fazer isso." - Pág. 280


" - Os sunais são resultado de tragédias, atos de terror tão sinistros que abalam o equilíbrio cósmico. Leo surgiu de suicídios em massa em uma seita, nas primeiras semanas do catalisador. Essas pessoas pensavam que o mundo estava acabando, então se atiraram juntas de um terraço. Mas não foram sozinhas; levaram junto suas famílias, pais, filhos...
   Kate respirou fundo.
  - Meu Deus.
  - É por isso que meu irmão é tão metido a justiceiro - ele disse em voz baixa. - -Com Ilsa foi diferente." - Pág. 281


" - Por que tem tantas sombras no mundo, Kate? Não deveria ter a mesma quantidade de luz?
- Não sei, August.
- Não quero ser um monstro.
- Você não é um - ela disse. As palavras saíram automáticas, mas enquanto dizia, Kate percebeu que acreditava nelas. August era um sunai, nada mudaria isso, mas não era perverso, cruel ou monstruoso. Era apenas alguém que queria ser outra coisa, algo que não era.
  Kate entendia a sensação.
- Dói - ele sussurrou.
- O quê?
- Ser. Não ser. Me entregar. Me conter. Não importa o que eu faça, tudo dói.
Kate inclinou a cabeça para trás, apoiando-a na banheira.
- O nome disso é vida, August - ela disse. - Você queria se sentir vivo, certo? Não importa se é monstro ou humano. Viver dói." - (August e Kate) - Pág. 315


" A dor havia passado por um tempo, suprimida pela loucura e pela alegria, mas agora as marcas voltaram a queimar em sua pele, pulsando abrasadoras, e os disparos ecoavam em sua mente como uma artilharia. Ele pressionou a testa ardente contra os ladrilhos frios, a pele chiando como fogo em água quando o frio encontrou a febre.
  Seu corpo finalmente resfriou e ele se deixou cair contra a lateral da banheira, a água fria subindo até a coluna e envolvendo suas costas." - Pág. 321


" - Você vai deixar tudo dela - advertiu Sloan. Seu tom era frio e afiado, os lábios mortos sobre os dentes. O calor fulgurou sobre a pele de August. - Você pode pôr um fim nisso - disse o monstro voltando a atenção para a barra. August sabia que era verdade, mas também sabia que, no momento em que fizesse isso, o malchai cravaria o metal em seu peito e cortaria o que havia sido carne e se transformara em fumaça e sombra, até trespassar seu coração ardente." - Pág. 341


" Seu corpo não dava mais ouvidos à sua mente. A luz vermelha ainda dançava sobre sua pele e Kate se surpreendeu em como uma vida podia se esgotar tão fácil. Como a morte podia estar contida em um toque." - Pág. 352


" Ilsa se voltou para a janela e olhou na direção do céu e da Fenda. Ergueu os dedos para vidro ainda rachado e, na escuridão, desenhou uma estrela, e mais outra, e outra. August envolveu os ombros da irmã com os braços e ficou observando enquanto ela enchia o céu." - Pág. 367


" August não era humano.
Não era feito de carne e osso, ou poeira de estrelas.
Ele era feito de trevas.
Leo tinha razão sobre uma coisa: estava na hora de August aceitar quem era.
E se entregar." - Pág. 374 - 375




Resenha | Castelo Animado • Diana Wynner Jones – Livro 1

  Autor:  Diana Wynner Jones  Editora:  Galera Páginas:  368 Avaliação:         Sophie é uma jovem que trabalha na chapelaria de sua família...